A pandemia do coronavírus já faz um ano. Um ano em que muita gente ficou em casa, se afastou dos amigos, dos parentes, das festas, dos churrascos, dos aniversários, casamentos e até enterros. Muitas famílias não puderam abraçar, dar adeus a um ente querido que morreu de covid e foi enterrado ás pressas, sem que os parentes pudessem ver.
Muita dor, muita tristeza, muito medo. Medo de pegar a doença, ir parar num hospital. Mas, o tempo passou e as pessoas foram se acostumando com esse medo. O vírus parecia que tinha se cansado, mas voltou com força. A vacina ficou na promessa.
Já estamos chegando ao terceiro mês do ano novo, que herdou tudo de ruim do ano velho e periga ficar ainda pior. Pelo menos uma coisa a pandemia mostrou: um universo de mais de 50 milhões de pessoas que se encaixaram no perfil para receber o auxílio do governo. Muitos cientistas perguntaram de onde tinha saído tanta gente necessitada. Eles foram chamados de invisíveis. O vendedor de laranja, o pedreiro, o jardineiro, o vendedor de picolés. Aqueles que não têm carteira assinada, nem emprego fixo.
O auxílio foi tão importante que os invisíveis tiveram dinheiro para ir ao supermercado, ás lojas de eletrodomésticos, ás casas de material de construção. Teve gente que fez melhoras na casa, consertou o telhado, fez um banheiro decente. Houve tanta gente comendo mais que os alimentos aumentaram de preço. Mas, o auxílio acabou com o ano. A pandemia aumentou.
É por isso que por mais que o governo esperneie contra, não há como deixar de ajudar pelo menos a metade daqueles que receberam o auxílio no ano passado. As pessoas que trabalham por conta própria na nossa região começaram a ter um baque nas suas vidas com a diminuição da pesca devido ás restrições por causa do rompimento da barragem que liquidou com uma das principais atividades econômicas de quem vive no vale do Rio Doce e adjacências. Sem pescaria, sem dinheiro, sem chance para os pequenos empreendedores. Pior ficou com a pandemia. Não fosse o auxílio emergencial, a vida de muita gente tinha ficado difícil, assim como está agora, que o auxílio terminou. Por isso ele tem que voltar, mesmo que seja em valor menor.

























































