Hoje, dia 31 de dezembro de 2021, completam dois anos que o mundo acompanha recordes diários de casos de Covid-19. E o pior disso é que a data acontece num momento em que uma variação do coronavirus, chamada de Ômicron, avança rapidamente por todos os continentes. A doença começou na China infectando 44 pessoas, no dia 31 de dezembro de 2018.
Primeiro médicos e cientistas pensaram que era uma epidemia conhecida na Ásia: a síndrome respiratória aguda grave, que aconteceu naquela região entre 2002 e 2003 e infectou cerca de 8.000 pessoas matando 774. Mas, o que estava por vir era infinitamente maior do que se pensava. Tratava-se de um vírus que causava febre, dificuldade para respirar e, em alguns indivíduos, um quadro de pneumonia – outros sintomas foram identificados nas semanas seguintes, como perda do paladar e olfato.
Em 13 de janeiro de 2019 foi confirmado o primeiro caso fora da China. Ainda em janeiro, autoridade chinesas isolaram 26 milhões de habitantes. Transportes foram suspensos, a população proibida de sair de casa. Qualquer um que com sintomas de gripe era levado obrigatoriamente para um centro de isolamento.
No dia 21 de janeiro de 2019 os Estados Unidos confirmam o primeiro caso de infecção pelos coronavírus, no estado de Washington. Três dias depois a França registrou os dois primeiros casos da doença na Europa. Em 30 de janeiro a Organização Mundial de anunciou que o surto da doença representava uma Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional.
Naquele momento, havia relatos de 7.818 casos confirmados em todo o mundo. Em 5 de fevereiro, um navio atraca na baía de Tóquio, no Japão, e é imediatamente colocado em quarentena, após casos de infecção pelo coronavírus serem detectados a bordo. E aí aconteceu o primeiro erro. Ao manter as pessoas dentro do barco, o vírus se disseminou com mais facilidade, infectando 712 pessoas, das quais 14 morreram.
Em fevereiro, a Covid-19 se espalha com mais força na Ásia e na Europa. No fim daquele mês, a Itália tornou-se o centro da pandemia. A situação se repetia na Espanha. Enquanto via o caos na Europa, o Brasil confirmava o primeiro caso de Covid-19 em 26 de fevereiro, logo após o feriado de Carnaval. Um homem que tinha ido á Italia trouxe o vírus.
Em 21 de março, o Brasil chega a 1.007 casos confirmados da doença. A primeira morte ocorre em 12 de março. A vítima era uma empregada doméstica de 63 anos, do Rio de Janeiro, que contraiu o vírus na casa em que trabalhava – os patrões haviam retornado da Itália com Covid-19
Em meio a este cenário e mesmo contra o que pensava o governo federal, estados e municípios de norte a sul do Brasil começaram a impor restrições ao funcionamento de serviços e do comércio na tentativa de frear o aumento rápido do número de novos doentes e que levaria a um colapso do sistema hospitalar.
O auge das infecções no Brasil no ano passado ocorreu entre 19 e 25 de julho, quando foram contabilizados 319 mil novos casos. Àquela altura, o país já somava 1.211 mortes. Naquela altura, cientistas em todo o mundo já alertavam que dificilmente a doença seria contida sem vacinas e medicamentos específicos, já que nenhuma droga existente se mostrou eficaz no tratamento da Covid-19.
A partir do meio do ano, diversos laboratórios anunciaram avanços no desenvolvimento de vacinas. Primeiro foi a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, a AstraZeneca e a vacina chinesa Coronavac, que começaram a ser testadas inclusive no Brasil.
Em 18 de novembro de 2020 ficou comprovado que as vacinas desenvolvidas naquele momento eram eficazes contra casos sintomáticos de Covid-19.
Com a notícia, os pedidos por vacinas da Pfizer disparam, mas o governo brasileiro e a empresa não conseguiam avançar nas negociações. A vacinação começou no dia 13 de dezembro do ano passado nos Estados Unidos que saíram na frente de todos. O ano de 2021 começou no Brasil sem nenhuma vacina aprovada e sem um horizonte claro acerca da imunização.
Nosso país, então, começou a enfrentar um grande aumento de novos casos e mortes, chegando 359 mil novos casos na primeira semana de janeiro e 6.906 mortes. O total de infectados passava de 7 milhões e 195 mil mortos. Enquanto começava a vacinação o mundo foi vendo as variações do vírus, cada vez mais fortalecido.
A primeira variante a acender um sinal amarelo na OMS é a Alfa, identificada pela primeira vez na Inglaterra em setembro de 2020 e mais transmissível que a original. Ela aumentou as infecções e mortes na Europa e Estados Unidos a partir de dezembro daquele ano. A variante Beta surgiu na África do Sul, mas não se dissemina com tanta força. O capítulo mais trágico da pandemia no Brasil começou com o surgimento da terceira variante a Gama, encontrada em novembro de 2020, no Amazonas.
Os efeitos da Gama começam a ser sentidos nos hospitais de Manaus ainda no fim de 2020, cerca de sete meses após o Amazonas ter vivido um pico inicial de infectados e mortos. O governo amazonense anuncia medidas severas na tentativa de frear o aumento de casos e internações, mas a decisão é revogada devido aos protestos. Com isso, em poucas semanas, Manaus entra em colapso, com pessoas morrendo por falta de oxigênio.
Em 31 de março deste ano o Brasil atingiu o recorde de 3.869 mortes por Covid-19 registradas em um único dia. A doença se espalha pelo país todo praticamente ao mesmo tempo, deixando estados inteiros sem leitos de UTI. Na mesma época, outra variante do vírus, a Delta, provocava cenas de horror na Índia. Mesmo assim, as autoridades enfrentaram a ignorância e a resistência de pessoas em se vacinarem, o que aumentou o número de infectados.
O mundo chega a dezembro de 2021 com mais de 275 milhões de casos confirmados e quase 5 milhões e 500 mil mortes. Quando se pensava que a pandemia estava acabando, surge a variante Ômicron, mais transmissível e capaz de driblar as vacinas. Ela dá início ao que se chama de quarta onda da Covid-19.
Em menos de um mês, a Ômicron já é identificada em cerca de 89 países. Embora mais transmissível, a variante não dá sinais de ser mais mortal. Pelo contrário, apresenta sintomas diferentes dos observados até então e costuma provocar casos leves, principalmente entre vacinados. Diante do desafio imposto, cientistas retornam aos laboratórios neste fim de ano para desenvolver versões atualizadas das vacinas já existentes que sejam capazes de neutralizar a Ômicron e, quem sabe, garantir que 2022 seja o ano do fim da pandemia.






















































