Nas redes sociais, não são poucas as manifestações de pais de alunos, matriculados em escolas municipais de Conceição da Barra e portadores de necessidades especiais, cujos cuidadores foram repentinamente trocados pelo poder público municipal, sem explicações às famílias.
A situação criou um conflito desnecessário e prejudicial à formação dessas crianças, conforme relato de educadores ouvidos pela Rede Barcos de Comunicação. Pais e professores reclamam que deveria, no mínimo, ter havido um processo de diálogo, preparando as famílias para essa transição, ocorrida em meio do ano letivo.
O diálogo deveria ser uma espécie de obrigação de todos os gestores públicos de qualquer instância, não aconteceu ou não foi suficientemente claro, o que acabou trazendo grave prejuízo às crianças naquela condição.
A forma intempestiva, adotada no meio de um ano letivo, de trocar funcionários encarregados de acompanhar em sala de aula alunos com necessidades especiais, tem sido amplamente condenada por professores, pais e mães empenhados em se superarem na lida, no cuidado diário a filhos com aquelas características.
“Erro grave”
A Reportagem ouviu uma educadora de larga experiência, tanto em nível interestadual quanto em relação ao próprio município de Conceição da Barra e ela foi categórica ao afirmar que, tecnicamente, não há como garantir a presença de cuidadores especializados em cada sala de aula, atendendo a um ou mais alunos com aquelas necessidades. Porém, destacou que afastar o que se pode chamar de cuidadores, em meio a um ano letivo, de forma abrupta e intempestiva, “é um erro grave”.
Essa educadora observa que leva tempo para a criança com necessidades especiais se conectar com quem a cuida na escola e, cortar essa conexão, de forma intempestiva causa sérios prejuízos à formação daquela criança. Ela cita, por exemplo, um caso em que uma criança chegou á sala de aula sem pronunciar uma única palavra.
Com o tempo e o trabalho da cuidadora ela começou a falar, a desenhar, a se comunicar com os demais. Mas, de repente, essa cuidadora foi afastada e outra foi colocada em seu lugar. Resultado: tudo voltou ao que era antes. E quem ficou no prejuízo? A criança e sua família.
O outro lado
A Reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Educação. Num primeiro momento, o secretário Fabrycio Crizostomos Kock se dispôs a falar sobre o assunto. Talvez dar uma explicação lógica para essa mudança tão repentina, fazendo o que deveria ter sido feito antes de tomar a decisão que afeta muitas famílias.
Mas, surpreendentemente, o próprio secretário passou a ignorar os contatos tentados pela Reportagem, como se não fosse importante dar explicações às famílias e à sociedade. De qualquer forma, o espaço está aberto, caso ele queira cumprir a obrigação que, em tese, lhe cabe como servidor público.
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