Mil e quatrocentos agentes das polícias de vários estados estão fazendo hoje uma megaoperação para desmantelar um esquema bilionário de uma organização criminosa, conhecida como Primeiro Comando da Capital ,no setor de combustíveis. Os primeiros cálculos dizem que o esquema deixou de pagar quase R$ 8 bilhões em impostos.
O grupo, formado por integrantes de várias instituições da polícia e da justiça, cumpre mandados de busca, apreensão e prisão em sete estados brasileiros, São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Segundo as investigações, mais de 350 pessoas e empresas são suspeitos da prática de crimes contra a ordem econômica, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato.
As investigações mostram que Integrantes da facção criminosa se infiltraram em todo o setor de produção de cana de açúcar, ameaçaram empresários e fazendeiros no interior de São Paulo.
Empresários e agricultores
A operação começou quando empresários, agricultores, colaboradores ligados ao setor sucroalcooleiro e à cadeia produtiva do álcool fizeram chegar aos promotores uma série de situações suspeitas envolvendo a compra de usinas, de fazendas de cultivo de cana, de postos de combustíveis e até mesmo de transportadoras ligadas ao setor sucroalcooleiro.
O grupo importava produtos químicos para adulterar combustíveis. Foram denunciadas situações gravíssimas de que fazendeiros, donos de usinas e de postos estavam sendo coagidos a venderem suas propriedades para os grupos criminosos. Inclusive, havia até suspeitas de incêndios criminosos em canaviais, empresas e propriedades rurais como forma de intimidação.
Ainda de acordo com relatos, os negócios eram geralmente fechados à vista em dinheiro vivo com valores subfaturados e ameaças de morte caso o “vendedor” desistisse ou abrisse o bico para denunciar a coação.
Vários empresários e comerciantes ficaram preocupados, pois sentiram que o crime organizado estava avançando com força sobre o setor. A operação vai atingir pessoas envolvidas nas fraudes, desde o cultivo no campo até a venda de álcool para o consumidor final.
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