De acordo com uma pesquisa nacional sobre a questão do emprego no Brasil, a queda na taxa de desemprego no Espírito Santo chegou a apenas 3% no segundo trimestre deste ano, o menor desde 2012, e muito menor que a média no Brasil.
O estudo, entretanto, mostra a necessidade de se analisar melhor essa boa notícia. Primeiro, porque a mesma pesquisa mostra que enquanto o desemprego diminuiu no Estado, aumentou muito o tamanho da população fora do trabalho.
Nesse grupo estão estudantes, pessoas que se dedicam às atividades domésticas e aos cuidados com parentes, pessoas incapacitadas por idade ou doença, e também aqueles que estão disponíveis para o trabalho, mas desistem de procurar por não acreditar que vão conseguir uma oportunidade.
Para essa situação contribuem a falta de especialização, assim como os programas sociais, que, mesmo sendo importantes para combater a pobreza, têm ajudado a aumentar o número daqueles que estão fora da força de trabalho. Ou seja, programas como o Bolsa Família não podem servir de desestímulo à busca por trabalho.
Aqui mesmo, na Vila de Itaúnas, os donos de pousadas relatam dificuldade em conseguir mão de obra uma vez que as pessoas até se dispõem a trabalhar, desde que não tenham a carteira assinada, pois isso tiraria delas o direito de receber o bolsa família, por exemplo.
Processo e multa
Os empresários do setor alegam que se contratarem mão de obra sem carteira assinada correm o risco de serem processados e multados pelo Ministério do Trabalho. É algo parecido com ficar entre a cruz e a espada. Se assinar carteira, perde o trabalhador. Se não assinar, acaba multado.
Dados recentes do Caged, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, mostra que em 27 cidades capixabas, o número de beneficiários do Bolsa Família supera o de trabalhadores com carteira assinada, sem considerar o setor público. São números que mostram a realidade desse setor.
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