Cerca de 11 milhões de mulheres brasileiras criam os filhos sozinhas, devido, em sua grande maioria, ao abandono do pai. Nesse caso, a Justiça deveria ser mais rápida, principalmente com os processos por pensão alimentícia. Como a maioria dessas mulheres é pobre, a única alternativa é por meio de uma Defensoria Pública, mas o processo demora anos e nesse tempo é preciso alimentar, vestir e cuidar dessas crianças, mesmo que a decisão da justiça seja retroativa. O que acaba sobrando para a mulher, sem ajuda de ninguém.
O que falta são políticas públicas que reconheçam as dificuldades dessas mulheres, obrigadas a sustentar sozinhas seus lares, educar, trabalhar, e ainda enfrentar preconceitos e violências. Advogados que atuam nessa área de família dizem que essas mulheres precisam de respeito, garantia de proteção social, dignidade e oportunidades reais. Esse abandono também pode ser considerado um ato de violência contra a mulher. Principalmente pelo acesso desigual à Justiça, já que em muitos municípios brasileiros não há Defensoria Pública.
É comum as mulheres precisarem acordar de madrugada para conseguir uma senha de atendimento legal. Ficam horas em filas, algumas com filhos pequenos no colo, e mesmo assim, ao chegar sua vez, as senhas já acabaram. Isso desestimula e, muitas vezes, impede que elas consigam sequer iniciar uma ação judicial. Isso, sem contar a profunda desinformação sobre os próprios direitos. Muitas mães não sabem como entrar com uma ação de alimentos, que documentos precisam ou quais benefícios têm direito. A ausência de orientação jurídica acolhedora e acessível é mais uma barreira no caminho dessas mulheres na busca pela justiça..























































