Por Any Cometti, G1 ES- Rede Barcos
O Espírito Santo registrou o maior número de mortes por Covid-19 em 24 horas desde o início da pandemia. Foram 72 mortes entre esta segunda (22) e terça-feira (23). A informação foi passada pelo secretário de estado da Saúde, Nésio Fernandes, durante coletiva de imprensa.
Até essa segunda-feira, o estado tinha 361.717 casos confirmados e 6.981 mortes por Covid-19. Com o número de óbitos atualizado pelo secretário, o Espírito Santo passa de 7 mil morte pela doença.
“Estamos entrando em um momento crítico que nos obriga a adotar estratégias duras. As pessoas precisam se sensibilizar com as perdas. Tivemos 72 mortes nas últimas 24 horas”, apelou o secretário.
De acordo com o Laboratório Central (Lacen), sete variantes de coronavírus estão em circulação no Espírito Santo, entre elas a B.1.1.7, descoberta no Reino Unido.
“Existe a possibilidade grande de que a variante inglesa esteja em maior circulação no nosso estado. Ela tem uma transmissão maior que as outras. Quem até hoje negou a doença, precisa entender que é real”, afirmou.
Com isso, o secretário de Saúde alertou, sobretudo, para os riscos dessa variante britânica, que causa casos mais graves em pessoas mais jovens.
“Foram irresponsáveis e indevidas todas as festas realizadas pela juventude neste um ano. É o momento de a juventude entender que é o momento de ficar em casa. Os jovens vão morrer em uma proporção não vista em outros momentos da pandemia com a circulação de outras variantes no país”, disse Nésio.
Oxigênio
Sobre o abastecimento de oxigênio nos hospitais do estado, Nésio esclareceu que o risco de desabastecimento só existirá se as empresas fornecedoras forem demandadas ao mesmo tempo pelas redes pública, privada e filantrópica.
Mesmo assim, ele disse que essas empresas envolvidas na fabricação e fornecimento de oxigênio foram contatadas para que o tempo de fornecimento do insumo fosse reduzido. Ele afirmou categoricamente que o estado não corre o risco de desabastecimento, como aconteceu no Amazonas.
“Em dezembro, a Sesa passou a fazer levantamentos rotineiros e redimensionar capacidade de gazes nos hospitais. Fizemos reuniões com as empresas fornecedoras para reduzir o tempo logístico de atendimento simultâneo. Não corremos o risco de viver no Espírito Santo o que aconteceu no Amazonas”, declarou.

Variante do Reino Unido é encontrada em pacientes com Covid-19 no ES
Particulares lotados
Segundo o secretário, os hospitais particulares do Espírito Santo não estão conseguindo absorver todos os pacientes que têm planos de saúde e condições financeiras de pagar um leito.
“Estamos preparando uma nova portaria para estabelecer o senso de leitos da rede privada. A partir desta semana devemos ter a alimentação dos leitos da rede privada. Em diversos hospitais públicos do estado, pacientes com plano de saúde, inclusive turistas, estão internados sem conseguir remoção para hospitais privados”, disse.
Espera por leito
De acordo com o secretário, o Espírito Santo não colapsou com relação a leitos de UTI e abastecimento de oxigênio.
“São poucos os casos de pacientes que aguardam mais de dois dias por um leito de UTI. Isso acorre quando eles chegam à Unidade de Pronto Atendimento e aguardarem o período de observação, que pode evoluir à alta, pode continuar estável ou evoluir à situação crítica”, informou Nésio. Apenas casos críticos devem ser transferidos para unidades de tratamento intensivo.
Internações por traumas
O secretário explicou que, na quarentena estabelecida em 2020, o estado teve uma redução no número de internações por traumas, o que não aconteceu na quarentena deste ano.
“Nós já esperávamos observar redução da pressão assistencial por outras doenças, em especial traumas. Infelizmente, não foi como no ano passado, quando, a partir do quarto dia, nós já tínhamos uma redução muito radical do número de traumas e outras doenças de urgência e emergência. Necessitamos incrementar a disciplina à quarentena.”
Situação crítica
A partir desta semana, o prazo para que a situação da pandemia continue crítica, de acordo com o secretário é de, no mínimo, quatro semanas.
“Ainda teremos mais quatro semanas muito intensas no que diz respeito a pessoas contaminadas ocupando leitos no Espírito Santo”, estimou. “Não façam festas, não façam reuniões de amigos. Não é o momento de reuniões domiciliares.”
Fiscalização
Em pronunciamento momentos depois da coletiva da secretaria de saúde, o governador Renato Casagrande (PSB) considerou que o mundo vive uma “guerra contra o vírus” e prometeu aumentar a fiscalização nos próximos dias. Mesmo assim, reforçou o pedido para que a população fique em casa.
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